Quando a moça se torna mulher?

Existe uma pergunta que a maioria das mães e pais nunca fizeram, e talvez nunca tenham ouvido: quando, exatamente, uma moça se torna mulher?

A resposta mais comum aponta para a biologia. A menstruação chega, e com ela uma nova fase começa — não apenas no corpo, mas também no campo psíquico, afetivo e, sobretudo, intelectual. Novas responsabilidades surgem. Novos deveres para consigo mesma se instalam.

Hoje, quando uma jovem tem sua primeira menstruação, o ritual que se segue é quase sempre o mesmo: ela é levada ao médico para aprender a evitar uma gravidez. A intenção pode ser boa, mas a mensagem que chega até ela é cruel: seu corpo é um risco a ser gerenciado.

Os pais temem a gravidez indesejada. Não temem, com a mesma intensidade, que a filha tenha uma vida triste, que se sinta usada, suja, não amada.

Ao invés de ensinarem a filha a amar — a si mesma, ao outro, à vida —, ensinam a evitar consequências. Para não “ter dor de cabeça”. Para que o futuro de carreira não seja “destruído”. A menina aprende a se proteger de um filho. Não aprende a se conhecer como mulher.

Se não é pela biologia, o que forma a mulher?

As vivências afetivas e psíquicas também não são suficientes, por si só, para fazer a transição acontecer. Relacionamentos, rupturas, amores e perdas são parte do caminho, mas não são o caminho.

A formação da maturidade feminina acontece em outra dimensão: a intelectual e espiritual.

Uma moça se torna mulher quando se descobre como um indivíduo feminino auto responsável. Quando passa a falar em nome próprio.

O que significa falar em nome próprio?

Na infância, repetimos o que ouvimos. Falamos em nome do código genético que carregamos, dos valores dos nossos pais, do grupo da escola, da religião da família, das opiniões do círculo social. Não há culpa nisso — é assim que a infância funciona.

Mas enquanto uma moça continua operando assim, ela ainda não é dona da própria individualidade. Ela ainda é porta-voz de outros.

Falar em nome próprio significa algo simples e ao mesmo tempo profundo: assumir o que se pensa, o que se sente, o que se escolhe — e arcar com tudo que sucede. Sem atribuir ao outro a responsabilidade pelo que é seu. Sem se esconder atrás do grupo, da família, do parceiro ou das circunstâncias.

Quando isso acontece, a vida de mulher começa.

Meu único objetivo é te libertar e te dar a formação necessária para que você tenha confiança de ser você mesma.
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