Você tem medo de altura? De perder o emprego? De ficar sozinha? De adoecer? De não conseguir o que quer?
Cada mulher nomearia o seu medo de uma forma diferente. Cada uma apontaria para um objeto distinto — uma conquista em risco, uma pessoa que pode partir, um bem que pode se perder. Os medos parecem muitos, parecem variados, parecem únicos para cada vida.
Mas se você parar e olhar com honestidade para o fundo de cada um deles, vai encontrar sempre a mesma raiz.
O que está por baixo de tudo
No fundo de cada ansiedade, de cada recuo, de cada hesitação — o que há é o medo de amar e não ser correspondida.
É o medo de se entregar e ser rejeitada. De se mostrar e ser ignorada. De confiar e ser traída. De abrir o coração e encontrar do outro lado o vazio, o escárnio ou o abandono.
Esse medo não nasce do nada. Ele tem uma origem — e conhecê-la é o primeiro passo para deixar de ser governada por ele.
O que conhecemos por dentro
Existe uma razão pela qual o medo de não ser correspondida nos paralisa com tanta força: nós conhecemos esse movimento por dentro. Conhecemos a malícia de não corresponder. Conhecemos o que é estar diante de um amor e recusá-lo.
O conhecimento da própria incapacidade de amar — da própria frieza, da própria traição — causa vergonha. E a vergonha alimenta o medo. Porque o fantasma que nos assombra é, precisamente, sofrer aquilo que já fizemos.
A maior parte do tempo não correspondemos ao amor de Deus. Nos afastamos, nos distraímos, nos envergonhamos de agir, recuamos diante do que exige entrega. E no fundo sabemos disso.
Por isso tememos que o outro faça o mesmo conosco: que rejeite, que se escandalize, que vire as costas. Projetamos no outro o que reconhecemos em nós mesmas.
O labirinto do medo é construído com os tijolos da própria consciência.
Coragem, apesar de
E ainda assim — apesar de tudo isso — o convite é para amar.
Não uma coragem ingênua, que ignora o risco. Mas uma coragem que conhece o risco, reconhece a própria fragilidade, e decide avançar assim mesmo. Uma confiança que não nasce da certeza de que nada vai doer, mas da certeza de que vale a pena atravessar a dor.
Há um amor que não rejeita. Que não se escandaliza. Que permanece diante da porta e espera — não como cobrança, mas como presença.
É o único amor que tem poder real. O que transforma o ordinário em extraordinário, a água em vinho, o medo em movimento.
Um testemunho
Não é fácil falar sobre isso. Há um custo real em se colocar diante dessa verdade — reconhecer o próprio medo, nomear a própria incapacidade, decidir confiar mesmo assim.
Mas esse caminho foi percorrido. O encargo apareceu. O desenrolar foi doloroso — e também milagroso. E do outro lado, há algo que não se explica sem ter atravessado: a certeza de que é possível.
O medo de não ser correspondida só perde força quando encontramos o amor que nunca falha em corresponder.