Existe uma palavra que define o que a alma feminina foi feita para ser: ampla.
Não ampla para oportunidades. Não ampla para conquistas. Ampla para tudo que é humano. Para a pessoa que está à frente. Para o que ela carrega, para o que ela precisa, para o que ela não consegue nem nomear.
Para que as mulheres têm sido amplas
Observe o que acontece ao redor. As mulheres de hoje são incrivelmente flexíveis. Adaptam-se, expandem-se, movem-se com facilidade.
Mas para quê?
Para mais dinheiro. Para mais fama. Para a carreira que impressiona, para os bens que acumulam, para o marido dos sonhos, para a conquista da metrópole e das mídias. São flexíveis para quem pode oferecer algum benefício. São estratégicas na entrega do próprio tempo, do próprio corpo, da própria presença.
E nesse movimento de conquistar o mundo, dedicam a vida inteira ao que logo estará ultrapassado.
O que sobra para tudo que é verdadeiramente humano?
O perdão tem fila de espera e critérios exigentes. O encorajamento depende de como a outra pessoa se comportou. A escuta só acontece quando é conveniente. A generosidade aparece quando não custa nada. A doação de si tem limites muito bem negociados e condições muito bem estabelecidas.
Tudo que é humano se torna secundário. As pessoas se tornam secundárias.
E a alma que deveria ser ampla se torna seletiva, calculista e estreita, ainda que pareça ocupadíssima e produtivíssima por fora.
O que significa ser ampla de verdade
Ser ampla para tudo que é humano é uma escolha concreta. Aparece nas atitudes pequenas e constantes que ninguém aplaude.
É ser ampla ao perdão, mesmo quando o outro não merece na sua avaliação. É ser ampla à escuta, sem preparar a resposta enquanto o outro ainda fala. É ser ampla à paciência, ao sorriso, ao serviço, à abertura. É não fazer acepção de pessoas: tratar com igual atenção quem pode te dar algo e quem não pode te dar nada.
É, em uma palavra, a entrega do dom de si. Não o que sobra depois que tudo foi calculado. O que você tem de melhor, dado sem esperar equivalência.
Por que você sai ganhando
Há uma lógica que contraria o instinto de quem calcula tudo: quem mais dá é quem mais recebe.
Não necessariamente no mesmo lugar, no mesmo momento, da mesma pessoa. Mas a recompensa de uma vida vivida com amplitude para o humano é absurdamente desproporcional ao que foi entregue. O que uma mulher ganha ao cultivar o perdão genuíno, a escuta real, a generosidade sem pretensão, a paciência que não exige retorno, não tem equivalente em dinheiro, fama ou conquista de mercado.
Ela ganha a si mesma. Ganha profundidade. Ganha relações que sustentam. Ganha uma vida que, no fim, foi vivida de verdade.
A pergunta não é se vale a pena ser ampla. A pergunta é para o que você tem sido ampla até aqui.
A mulher que se alarga para as pessoas nunca sai menor. Sempre sai maior do que entrou.